O urubu não foi o primeiro personagem associado ao Flamengo. Antes de a ave se tornar inseparável do clube, um marinheiro dos quadrinhos ocupou esse espaço: Popeye.
Segundo o Museu Flamengo, o cartunista Lorenzo Molas apresentou o clube dessa maneira no Jornal dos Sports em julho de 1944. O personagem, conhecido por encontrar forças para superar dificuldades, ganhou identificação com os torcedores.
O que aconteceu em 1º de junho de 1969?
O museu registra um episódio decisivo em um clássico contra o Botafogo. Torcedores levaram um urubu ao Maracanã e soltaram a ave antes da partida. O Flamengo venceu por 2 a 1, com gols de Doval e Arilson.
A iniciativa transformou o sentido de uma provocação. O nome usado de maneira pejorativa pelos rivais foi assumido pelos próprios flamenguistas. Na interpretação do acervo do clube, essa apropriação tornou a ave um símbolo de resistência.
Popeye aparece associado ao Flamengo nos desenhos de Lorenzo Molas.
Um urubu é solto no Maracanã antes de Flamengo e Botafogo.
Henfil ajuda a popularizar a ave como personagem rubro-negro.
A arquibancada e o desenho
Uma reportagem do ge sobre os 40 anos do episódio recupera a iniciativa de jovens torcedores e o papel de Henfil. Nas tirinhas do Jornal dos Sports, o urubu ganhou expressão e passou a representar o Flamengo.
São dois aspectos complementares da memória: o gesto na arquibancada e a circulação do personagem na imprensa. Reduzir tudo ao voo de uma ave deixa de fora o trabalho dos cartunistas; tratar apenas do desenho apaga a participação da torcida.
Por que a origem faz diferença?
Um mascote pode nascer de uma escolha institucional. Aqui, as fontes consultadas contam uma história de disputa pelo significado de um apelido. O torcedor reconhece como seu um símbolo que havia sido usado para diminuí-lo.
É também por isso que desenhos diferentes do urubu podem remeter à mesma identidade. O vínculo não depende de uma única ilustração: passa pela memória compartilhada do clube, da imprensa e da arquibancada.
