JORNALISMO INDEPENDENTE SOBRE O FLAMENGORIO DE JANEIRO · BRASIL
flamengodeperto.O CLUBE. O JOGO. A HISTÓRIA.Informação com origem. História com contexto.
Identidade rubro-negra

Antes do urubu, o Flamengo teve outro mascote. Conheça essa história

Popeye, o clássico de 1969 e as charges de Henfil ajudam a explicar como o urubu se tornou um símbolo do Flamengo.

Vista aérea do Maracanã, com a cidade do Rio de Janeiro ao fundo
Maracanã em 10 de dezembro de 2016. Foto de arquivo. Diego Baravelli / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0. Redimensionada; corte de exibição adaptado à tela.

O urubu não foi o primeiro personagem associado ao Flamengo. Antes de a ave se tornar inseparável do clube, um marinheiro dos quadrinhos ocupou esse espaço: Popeye.

Segundo o Museu Flamengo, o cartunista Lorenzo Molas apresentou o clube dessa maneira no Jornal dos Sports em julho de 1944. O personagem, conhecido por encontrar forças para superar dificuldades, ganhou identificação com os torcedores.

O que aconteceu em 1º de junho de 1969?

O museu registra um episódio decisivo em um clássico contra o Botafogo. Torcedores levaram um urubu ao Maracanã e soltaram a ave antes da partida. O Flamengo venceu por 2 a 1, com gols de Doval e Arilson.

A iniciativa transformou o sentido de uma provocação. O nome usado de maneira pejorativa pelos rivais foi assumido pelos próprios flamenguistas. Na interpretação do acervo do clube, essa apropriação tornou a ave um símbolo de resistência.

1944

Popeye aparece associado ao Flamengo nos desenhos de Lorenzo Molas.

1969

Um urubu é solto no Maracanã antes de Flamengo e Botafogo.

Nas charges

Henfil ajuda a popularizar a ave como personagem rubro-negro.

A arquibancada e o desenho

Uma reportagem do ge sobre os 40 anos do episódio recupera a iniciativa de jovens torcedores e o papel de Henfil. Nas tirinhas do Jornal dos Sports, o urubu ganhou expressão e passou a representar o Flamengo.

São dois aspectos complementares da memória: o gesto na arquibancada e a circulação do personagem na imprensa. Reduzir tudo ao voo de uma ave deixa de fora o trabalho dos cartunistas; tratar apenas do desenho apaga a participação da torcida.

Por que a origem faz diferença?

Um mascote pode nascer de uma escolha institucional. Aqui, as fontes consultadas contam uma história de disputa pelo significado de um apelido. O torcedor reconhece como seu um símbolo que havia sido usado para diminuí-lo.

É também por isso que desenhos diferentes do urubu podem remeter à mesma identidade. O vínculo não depende de uma única ilustração: passa pela memória compartilhada do clube, da imprensa e da arquibancada.